quinta-feira, 5 de junho de 2008

Lobbying da Elsevier


Através do Blog Open Access News tomei conhecimento da notícia de que a Elsevier (o grupo que controla uma fatia importante do mercado da publicação científica) gastou 790,000 dólares, apenas no primeiro trimestre deste ano, para fazer lobyying junto das instituições federais americanas relativamente a vários assuntos, nomeadamente o mandato do National Institutes of Health de acesso livre à investigação por si financiada. Relativamente a este assunto, a Elsevier fez lobying junto do Congresso, da própria NIH e da Health and Human Services Department.

Se tomarmos em consideração que a Elsevier desenvolve também uma intensa actividade de lobying junto de instâncias da União Europeia (e de pelo menos alguns estados membros), e que os 790,000 dólares são apenas as despesas do primeiro trimestre de 2008, facilmente podemos concluir que a companhia deverá despender uma quantia entre os 5 e os 10 milhões de dólares em actividades de lobying, por ano.

Os defensores do acesso livre não têm este poder económico. Como notou Peter Suber, tudo o que temos são bons argumentos!

Por outro lado, não é estranho que a Elsevier lute pelos seus interesses, investindo significativamente para preservar o "status quo" actual , tentando prolongar e manter (enquanto for possível) um sistema e um mercado de publicação científica que domina e que lhe gera muitos lucros.

O que é estranho é que os cientistas e académicos (bem como as instituições para as quais trabalham) estejam a demorar tanto tempo a perceber que o "status quo" actual, para além de anacrónico e prejudicial aos seus interesses individuais e aos interesses do progresso científico, pode ser realmente alterado.

No caso concreto da Elsevier, o que é realmente estranho é que os cientistas e académicos mais depressa "diabolizem" a empresa (nem sempre com razão), do que aproveitem a possibilidade, que a própria Elsevier lhes permite de disponibilizar em acesso livre, através de repositórios institucionais, os artigos que publicam nas revistas desta empresa (recordo que a Elsevier é um editor "verde" na classificação do projecto ROMEO).

2 comentários:

Pedro Príncipe disse...

Uma das competências que actualmente devem os profissionais das bibliotecas assumir, em particular no ensino superior, é a capacidade de análise comparativa e conhecimento ágil dos sistemas comerciais de informação bibliográfica. Deste modo poderão fazer as melhores opções para a sua instituição e serem realmente uma mais valia para os utilizadores. Mas, pessoalmente, confesso que é preciso um esforço grande de (in)formação para podermos responder à altura deste desafio, desta nova competência que se nos impõe. Aqui neste post está mais uma prova deste meu sentimento. Não basta conhecer os sistemas e as bases de dados, é preciso conhecer também as empresas proprietárias, as suas relações comerciais, a sua estratégia comercial presente e futura e também o lobying que fazem para marcarem presença no mercado...

subtilezas disse...

estou no fim do segundo semestre do curso de ciências da informação e da documentação da universidade aberta. de uma maneira geral, estou satisfeita com os conteúdos programáticos do curso e com o e-learning em particular. no entanto, sinto grandes dificuldades para estar "(in)formada" em questões que dizem respeito ao acesso livre . neste segundo semestre estamos a ter uma cadeira de tópicos de informática e não vamos muito além do que um utilizador básico deverá saber, de internets e computadores, alguém que para estar inscrito num curso de e-learnig deve ter como dado adquirido (digo eu). gostava de ver estes conteúdos aprofundados no curso, mas ainda nem abordados foram. neste caso particular aprendo mais a ler blogs desta natureza(parabéns e agradeço também a partilha) do que a seguir o manual da cadeira. isto para dizer que gosto de cá vir, aprendo sempre:D

 
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