terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Old habits die hard - A propósito dos Cadernos BAD

Recebi no final da passada semana o último número dos Cadernos BAD (Número 2/2007), mas só hoje pude dispor de algum tempo para consultar o índice e ler alguns dos artigos.


Com uma história de mais de 40 anos, os Cadernos BAD são uma publicação ímpar no domínio da biblioteconomia, arquivísitica e ciências da informação em Portugal.


Por outro lado, sendo editados pela associação profissional do sector, a BAD, valorizo também os Cadernos por constituirem um veículo de construção e afirmação de identidade profissional.


Dito isto, ao percorrer o índice deste último número (que contém um interessante artigo de José Afonso Furtado sobre o mito da biblioteca universal) reforcei a opinião que vim amadurecendo nos últimos anos (ainda no tempo em que participei no Conselho Directivo Nacional da BAD, e em que os Cadernos se publicavam sem grandes atrasos): o actual modelo e formato dos Cadernos já não se adequa às possibilidades, necessidades e expectativas actuais.

De facto, este número dos Cadernos inclui pelo menos dois artigos que se encontram completamente ultrapassados e "anacrónicos" no momento em que são publicados.

O artigo Repositórios de Acesso Aberto em Portugal: Situação presente, alguns resultados e perspectivas futuras de Paula Sequeiros, retrata a situação existente em Portugal no final de 2007 (data da recolha dos dados). Acontece que em 2008, quer por iniciativa própria das instituições quer como consequência do projecto RCAAP, o panorama dos repositórios em Portugal alterou-se profundamente.

O artigo Da Realização de Despesas Públicas à aplicabilidade do Decreto-Lei nº 197/99, de 8 de Junho às Bibliotecas do Ensino Superior Politécnico: O estudo do caso da Biblioteca do ISCAP de José Manuel Pereira, refere-se à aplicação de uma legislação que entretanto foi revogada pelo Decreto-Lei 18/2008.

Não está em causa o esforço dos autores e a qualidade dos artigos (o primeiro foi uma investigação realizada de acordo com as regras, e o segundo confesso que não li). O que está em causa é facto de, por causa da dependência exclusiva do actual "modelo", com a reunião de um número de artigos suficiente para a distribuição impressa, e os atrasos que ele provoca, alguns dos artigos arriscarem ser "objectos arqueológicos" quando chegam ao conhecimento dos seus potenciais leitores, perdendo toda a actualidade e muito do interesse.

Julgo que já é tempo da BAD pensar em editar/distribuir os Cadernos (também) em formato digital (em Acesso Livre, na minha opinião) e permitindo o comentário dos artigos e o seu debate com as múltiplas ferramentas da Web 2.0.

Será um serviço que prestará aos profissionais portugueses, mas também à própria Associação e aos Cadernos BAD.

1 comentário:

Pedro Príncipe disse...

Tenho sempre o gosto grande em receber o cadernos BAD. Foi a leitura dos cadernos bad que muito contribuiu para o meu envolvimento e motivação por esta área profissional. O rato de biblioteca dá sempre destaque aos cadernos bad a quando da sua publicação, e referiu já que os atrasos "consomem" uma publicação deste tipo. É muito bom existir uma publicação de referência neste domínio, mas tem que ser credível, e a periodicidade é fundamental para a tornar de qualidade. Imagino que seja um esforço significativo para quem está envolvido na sua edição, mas urge mudar!
Dar-lhe um formato electrónico confere mais versatilidade, mais facilidade na edição, menos custos e maior propagação - e às vezes e muito mais fácil do que parece. Como sócio da BAD estou disponível para ajudar!

 
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